...Talvez porque possua o perfume preferido, o sorriso inesquecível ou talvez porque eu tenha desenhado em seus olhos translúcidos um mundo desejado. É como se no interior de seus olhos azuis, escondesse uma região idealizada. Não tem noção de como é bela, de como é sentida, vivida e livre. Sim a liberdade... ir e vir...
Não me perderia, por mais que o caminho tivesse obstáculos, tivesse mudado sua direção. Eu saberia voltar. Lembra o perfume? Pois é, inconfundível!!! Conseguiria de longe senti-lo e como num passe de mágica estaria eu ali, diante de Ti...
Tudo que eu queria era poder transformar em verdade o que ali dentro existia, região cujos limites pertencessem aos meus e seus desejos... Encontros casuais, nada tradicionais. Eu e você. Eu, você e... possibilidades... melhor me calar!
Mas esqueci que a fixação do perfume pouco a pouco vai deixando de pertencer ao corpo, restanto apenas o seu cheiro... Por outro lado esqueceu a fragrância que estava utilizando e não fez questão de procurá-la... Não consigo mais sentir o perfume, não lembro mais do seu cheiro...
E agora me encontro perdida, sem saber que caminho trilhar, já nem sei se quero seguir a direção em que se encontra... Talvez por circustâncias do destino eu o encontre novamente e aí possa reconhecer seu cheiro, seu novo perfume... talvez... talvez o perca para sempre... talvez...
Talvez o encanto perdeu-se em algum canto, talvez o espanto fizesse com que nossa história morresse em desencanto... talvez nem tenha nascido... talvez...
Juliana Ayres
01/11/2010

2.12h. Bom dia, Juliana!
ResponderExcluirMaravilhosa concepção desses questionamentos do coração, que às vezes nos perturbam e nós, não tendo como responder, começamos todas as nossas respostas com o talvez... Maravilhosa a figura da fragrância! Pois não é verdade que “desaparecem” na pele? Não é verdade que precisem marcar mais fundo em nós que somente a pele? Não é verdade que, por mais marcante ao olfato e por melhor que seja o olfato, é preciso passar do olfato para algo mais profundo, como a memória e o coração? Contudo, alguns preferem novas fragrâncias, pois vivem de pele... Ou será que não querem viver só de pele, e na verdade nos procuram pela cidade como os procuramos... Talvez uma coisa... Talvez outra... Talvez...
Lindo texto, Juliana!
Lello