quinta-feira, 22 de abril de 2010

RECAÍDAS NA MADRUGADA







RECAÍDAS NA MADRUGADA



Nesse meu pequeno intervalo

não falo e me calo

Ao menos escrevo

mesmo sem saber se devo

Você não quer ouvir?

Não tem problema, pode rir

Queria poder te tocar

mas como sem você me notar?

Olha eu aqui, eu existo!

Não adianta, eu não insisto

mas se me chamar eu não resisto

Então é isso, eu não desisto!

Garoto?

Como é mesmo o seu rosto?

Você eu não conheço de fato

porque quero como meu candidato?

Se soubesse a resposta

não diria esse monte de bosta

Hoje já não ouço as canções

que me levaram a mil tentações

Hoje a minha alegria

é a pura fantasia

Não, não foi paixão

o que seria então?

Talvez não tenha explicação

ou foi apenas uma grande ilusão

Noite quente, febre ardente

e você ausente

Ai, ai, ai, por isso gosto de sair

para simplesmente me divertir

Mas será que acrescenta?

Não sei, mas a gente tenta

Hoje estou de castigo

sem poder falar contigo

só assim não corro perigo

Hoje estou doente

não vou dizer que estou carente

apenas com vontade

de não bancar a decente

Nada aconteceu

apenas amanheceu

entardeceu e anoiteceu

Dia agitado

onde tudo foi complicado

Agora na madrugada

fiz a maior burrada

e foi na hora errada

Ouvi aquela canção

e surgiu aquela emoção

Prazer com desprazer

e agora para desfazer?

Já sei vou dormir

assim consigo fugir

Mas se no sonho aparecer

é comum de acontecer

Aí depende de como acordar

e tudo pode melhorar

ou infelizmente piorar

Porque gasto as palavras

com alguém que inventei?

Ele existe isso eu sei

mas da forma que chamei

Porque gasto o pensamento

com alguém de um momento?

Porque passou na minha vida

não apenas como o vento

Rápido como o vento

Mas marcante para o tempo

Analisando seus traços

imagino pontos fracos

Inventando defeitos

vejo que é o par imperfeito

Mas perfeita é

sua imperfeição

Diante daquela

que vive de emoção

Sim, conheço a razão

mas a razão desconhece

a real situação

Depois de muito tempo

eu falei contigo

Mas em nenhum momento

disse o que penso

Sim ainda sinto

mas me escondo no recinto

Deu para perceber

que não quer me conhecer

Mesmo que a atriz

faça você feliz

Como posso saber?

me conheço para dizer

Assim como você

é comum de acontecer

Homens que chegam

a se apaixonar

mesmo que eu não tenha

esperança a dar

Nossa amiga me disse

e não foi um palpite

Ele tem o direito de usar

e naturalmente não gostar

Pode ser, isso explica

porque então você complica?

Eu diria que gostou

e por acaso não notou

Eu não tenho amigo

pois querem ficar comigo

Até mulher

as vezes pega no meu pé

“Que homem não queria

Você como mulher?”

Escutei isso agora

foi alguém de outrora

Diz que me adora

E eu tento dar o fora

Queria não despertar

interesse pelo olhar

E não vou com a intenção

de provocar

Vários querem

me seduzir

Mas não me sorri

quem eu escolhi

Será que finalmente esqueci?

Acho que sim, esqueci de desistir





Juliana Ayres


AFINAL, QUEM É VOCÊ?







TEXTO AINDA EM ANDAMENTO


ED... AFINAL, QUEM É VOCÊ?

O INÍCIO

Menina aos 13, criança em plena mudança. Através de um simples olhar, percebe seu jeito de andar, sem ainda querer alcançar.
Imperceptível aos olhos dele, mas nele percebe o charme e acompanha discretamente, sem nenhuma intenção na mente. Passa na minha frente, rente e não me sente. Brinca, sorri, seduz e conversa com outras mulheres. Nelas o contato é próximo, cochicho ao pé do ouvido, comigo nenhum sorriso, comigo nem risco e rabisco.
Grande perda acontece, menina perde um amigo, o homem que achava mais lindo, não é a toa que seu nome era Arlindo. Para ele é mais forte a emoção, quem parte é o amigo irmão e perde-se parte do chão. Agora falaremos do Izão.
Carinho e respeito, amigo do fundo do peito, sua ilha é a família e com coragem, mergulha nessa nova amizade.
Por fim o conhece de fato, será esse meu candidato? Ele passa a brincar, conversar e sorrir, isso basta para seduzir.
Encontro aos finais de semana, sempre violão e canção. Menina com pouca malícia, acha isso uma delícia. Menina, sapeca, mas discreta, não resiste e se interessa com uma pequena pressa. Ainda aos 14 sabe o que quer, como se fosse uma mulher.
Pausa no violão! Ainda bem, porque não era bela a canção!
Ele a abraça e ela não perde a graça. Devagar encontram o beijo, felicidade não depende de idade e começa nesse exato momento, algo que jamais teve esquecimento.
No beijo aquela emoção, que logo se transforma em paixão. Paixão de adolescente e quem foi que disse que não sente?
Paixão com anseio, sem freio, sem rodeio.
Paixão sem limite, mas cheia de palpite.
Paixão com risco desde o início.



Março/2010




“AFINAL QUEM É VOCÊ?” ESSE TEXTO VAI LONGE, MAS MEU PENSAMENTO NÃO QUER DAR ANDAMENTO E NO MOMENTO CONHEÇO O FINAL, QUE ENFIM É O PONTO FINAL.

...Hoje escrever não é mais sofrer é até divertido podem crer. Eu menti, pois eu sofri, senti, vi e percebi. Sua atitude Deus me ajude foi pior do que criança desprovida de esperança. Chegou em mim como um pesadelo sem fim, mas tento me acalmar pois não mereço chorar. Para piorar, você me fez viajar, largar tudo e me arriscar. Teria valido a pena, faria uma centena se sua coragem não fosse pequena. Se sua nobreza não acabasse em pobreza, se sua tristeza se transformasse em grandeza ou se minha natureza escondesse a fraqueza.
Hoje você veio me procurar, para tentar se explicar ou mais uma vez me enfeitiçar? Foi só suspirar e consegui enxergar porque lá trás não pude escapar. Já não sou mais a criatura que te atura quando me procura. Já não sou mais a menina sem malícia que acha tudo uma delícia, já não sou mais a menina sapeca, discreta com pequena pressa. Eu cresci, amadureci, resisti e por um fim nessa história eu decidi.
Um ano, dois anos? Não! Uma vida, não totalmente perdida. Dezenove anos cheios de planos e muitos enganos. Muita gente se metendo na frente. Corremos riscos, naquilo que fizemos, mas como somos ariscos, só nós dois sabemos. Sempre proibido, sempre doído, mas sem perder a libido. Um grande intervalo, onde apenas carinho é cultivado e simples contato acontece de fato.
Até ano passado, eu tinha pensado que o resultado não ia ser fracassado. Mas nosso encontro, chegou num ponto que me fez pensar em partir desse ponto. Depois do grande intervalo a criança se enche de esperança, mas o reencontro foi um desencontro e aquela conversa nenhum pouco me interessa.
Não estava feliz é o que me diz, que nos barra então? Minha relação? Não, já conhece a razão. Apenas amizade e sem falsidade. A religião? A sua, não minha. Respeito, mas acho suspeito alguém supremo, descer ao extremo.  
Não vou dar atenção a essa discussão, mas saiba então que a partir daí que esquecesse você eu pedi.
Fiquei bem, estava bem mesmo tempos sem ninguém. O foco da otimista era na vida de artista, idealista e pretendendo várias conquistas.
Opa!!! Conheci uma pessoa e não foi à toa. Alguma coisa aconteceu, pelo menos no meu eu. Eu mudei, te falei e te contei a respeito do sujeito. Senti que não gostou e que se chateou. Mas como? Você se julga meu dono?
Me apaixonei eu não sei, mas me encantei por alguém que inventei, gastei meu pensamento com alguém de um momento. Traduzi em palavras o que me intrigava. Mas preferia ele e não você. Pensava nele e não em você.
Eu disse que mudei, nem eu acreditei. Tudo bem ele não sabe que existo, mesmo assim repito: Preferia ele e não você.
Nessa história isso é uma vitória, me livrei da prisão, mas com uma condição. Caí numa armadilha e agora quem me tira?
Você bem que tentou, se separou e me procurou. Sem cerimônia pediu que voasse ao seu encontro e que te abraçasse. Assim eu fiz, sem cerimônia voei, te encontrei e te abracei.
Sua família eu adoro, por eles eu “oro”. Sua mãe sempre torceu pelo que nunca aconteceu e o que mais me surpreendeu foi seu pai, que veio me perguntar, porque nunca decidimos nos casar e para completar: vocês sempre se gostaram tanto e ainda se gostam, porque não deram certo se ainda estão tão perto?
Fiquei sem resposta! Pensando na possibilidade de uma proposta.
Quebrei todas as regras, não gosto mesmo delas. Acreditei numa chance para esse romance. Nada nos impedia, mesmo contra a maioria. Nem marido que é amigo, nem esposa perniciosa, nem pais, pois não se metem mais, nem filho é empecilho, apenas ainda o pensamento naquele daquele momento. Sinto dizer, mas ainda preferia estar com ele e não com você.
Contei para todos sobre minha decisão mesmo sabendo que ia ouvir sermão.
Pela primeira vez tivemos oportunidade e a gente fez apenas com essa idade, o normal que faz qualquer casal, em qualquer local de forma habitual. Dormir e acordar!!! E sem me importar com alguém a me procurar. Que vergonha, me sinto uma pamonha. E dizem que não sou paciente, mas não estão cientes.
Você sempre usou sua lábia de forma sábia. Relembrou mínimos detalhes, sem precisar que eu falesse. Sabe onde foi à maior emoção? Quando pediu para pegar na sua mão. 

Não vou mais falar em detalhes, mandei tudo para os ares. Assim que me escreveu, você nem percebeu, mas no mesmo momento descobri que sua ação era provocar a situação para atrair quem gosta de te trair. Pensei que te conhecia, mas era apenas teoria.
Você é fraco, não quer sair do buraco. Está sendo tolo, não merece consolo, está sendo imprudente por estar carente.
Enfim, o pesadelo teve um fim, sua estupidez o levou a insensatez que me levou de uma vez a ver com nitidez o que nunca quis enxergar. Não vale mais a pena me esforçar, nenhuma lágrima derramar, nem mais um vôo decolar para não sair do mesmo lugar.
Não vai ficar marcas, nem cicatriz, apenas duras respostas na mão de uma atriz. Agora eu só te quero bem e que seja feliz também.
 



Juliana Ayres





EM ANDAMENTO








HOMEM MENINO?


O texto que segue foi um grande erro, não por expor meus sentimentos e nem por expor um pouco do que eu era naquela época, mas por nomear esse Menino Homem. Injustamente eu fiz, porque acreditava que de alguma forma, ele era esse Menino Homem, mesmo com a pequena consciência de que estava misturando realidade e fantasia. Claro que não era ele, em nenhum dos aspectos, pois não o conhecia para tirar essas conclusões. Não tinha esse direito. Estava achando que eu era quem? Deus? Não, porque Deus não julgaria, não teria dúvidas, não ficaria entre a incerteza, simplesmente afirmaria. Não fui racional, fui impulsiva e imatura. Mas havia uma enorme necessidade de expressar esse sentimento, um desejo quase que involuntário. Foi a primeira vez que isso aconteceu, foi o primeiro texto que escrevi, talvez isso justifique a confusão, a falta de conhecimento, elaboração e diferenciação do real e irreal. Mas sem esforço, as palavras saíam como um cuspe, as mãos nervosas obedeciam ao comando traduzindo em palavras o que sentia. Muitas vezes acordei com frases prontas, que deveriam ser encaixadas no texto. Um sofrimento imenso me acompanhou nesses dias. Mas isso foi preciso para que deixasse ali a fase em que me encontrava, hoje já não me vejo naquela mulher. Eu mudei, ainda bem! Hoje sei que tudo isso foi um desabafo do universo feminino, em relação as suas expectativas frustradas perante aos homens que não se comprometem e aos sonhos inalcançáveis. Mas como tinha o pensamento constante naquele daquele momento, confundi tudo. Confusão por desejar um homem BIS (Bonito, inteligente e sedutor) e eu só queria pedir BIS! Uma fase de fraqueza ou a síndrome da Cinderela afastada do tempo. Compreensível para quem assumiu na adolescência a responsabilidade da maternidade, duas vezes. Compreensível para quem suportou a carga de uma mulher gigante. Uma menina transformada em mulher. Porque não poderia então essa mulher se transformar em menina? O que eu consegui com isso? Sofrer, sofrer e afastar quem eu queria estar perto naquele momento. Houve uma grande confusão da minha parte e hoje além de reconhecer esse erro, gostaria de me redimir, mas não sei como, por isso escrevo, mesmo sem saber se devo...

18/08/2010



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Homem Menino?

Menino Homem?




Queria ser como o homem: sentir prazer e não me envolver.

Ou como a mulher, cujo limite de sua sensibilidade abre margem ao interesse, a futilidade, a vulgaridade, a dependência escrava para não ficar só ou mesmo a incapacidade de sobreviver só.

Não! Não queria, prefiro sofrer a ser ausente de sentimento, pois negar a dor, também faz negar a proximidade da felicidade.

Mulher de sensibilidade exacerbada, sensibilidade sem limite, mulher “talento, gana, insistência, teimosia”*, expressão! Não é à toa que a profissão a escolheu, profissão sem limite, sem rotina, profissão desafio, emoção, mil formas, “Jú mil formas, todas, atriz”*. Bailarina desde menina.

Mulher vulcão adormecido, não por falta de oportunidade, mas por falta da tal oportunidade, que consiga provocar força endógena e faça esse vulcão entrar em erupção. Mulher que canaliza essa energia para novas conquistas, novos projetos, para a arte. Até quando?



Mulher crítica, perfeccionista e seletiva, seleção não consciente, mas que infelizmente nem sempre é ao seu favor em função das armadilhas, e dependendo da armadilha torna-se prisioneira sem previsão para a sentença. No tribunal da vida, quem sonha não fica impune.

Menino de dois olhares: o maduro e o imaturo.
O primeiro, de minha preferência, traduz inteligência, seriedade, confiança, sinceridade, romantismo, sedução, desejo, erotismo, revela o homem. Olhos que lançam poções que paralisam.
O segundo, ainda infantil, que esqueceu ou que não quer crescer, denuncia o menino, põe em vista a vulgaridade, o promíscuo, a conquista momentânea. O que é ainda deslumbrado com a quantidade, não com a intensidade e deseja conquistar um império, mesmo não sendo Alexandre, O Grande. O que procura pelo fácil, pela mulher vulgar para seu gozo aliviar. Vulgar: “Baixo, habitual, comum, ínfimo, ordinário, trivial, sem valor...”

Conquistar o vulgar é fácil, não precisa de esforço, é sustentável, é subornável, não acrescenta. Qualquer coisa que ofereça para quem possui o ínfimo, torna-se grandioso. Não cansa.

Procurar pelo raro, pelo desconhecido, assumir o valioso, assusta, acovarda, traz questionamentos, incertezas, insegurança.

Conquistar o extraordinário (extra-ordinário, extra-vulgar) também pode ser fácil, mas sustentar essa sedução exige esforço, jogo, estratégia, amor. Cansa.

Mulher também madura e imatura.
A primeira, Mãe! Acima de tudo! Responsável, sincera, divertida, sempre amiga, batalhadora, perseverante...
“Mulher bonita, inteligente, interessante, cabelo bonito...” Acredita que essas palavras sejam apenas uma repetição de um diálogo. Realidade que não existe.
A segunda, que não equilibra as ações e as leva ao extremo: sonhos, sensibilidade, confiança, otimismo, expectativas, emoção... Pura ilusão!
“Menina bonita, inteligente, interessante, cabelo bonito...” Prefere acreditar que não seja apenas um diálogo que se repete. Cria a realidade que não existe.
Juju, “irmã fantasia. Desliza na vida, patina pelas adversidades, esquia pelos sonhos, surfa na vontade. Segue em frente, sem remar precisamente.”*

Mulher que não suporta pressão, mas não perde a direção. Que cansa da rotina, mas segue a rota. Que detesta regras, mas não é desregrada. Que se irrita com ordens, mas não promove desordens. Que gosta de desafios e também de elogios. “Espremida entre Baco e Apolo”*.
Não concorda com imposições e regrinhas machistas e vai atrás de seus objetivos contradizendo 100% dos conselhos, e que conselhos! Mãe, pai, irmãos e amigos, mas faz, simplesmente porque assim sente. Trai as regras para não trair o desejo. “Dribla a razão com sua pressa imprecisa”*. Concorda com Gandhi quando disse que demonstrar o amor é privilégio dos corajosos. “Jú impaciência, discreta rebeldia”*, demonstra, mas não sufoca, insiste, mas também desiste, não por fraqueza, mas porque naturalmente vai saindo da mente, se decepciona ou se desinteressa devido a falta de reciprocidade.

Menino de sotaque gaúcho, que provoca e até sufoca.

Homem de voz única, sedutora, português correto.

Homem de nome único: XXXXXXXXXXXX XXXXXXXXX

XXX de sorriso único
XXX de sorriso impreciso
XXX de sorriso menino

XXX de risada engraçada
XXX de risada disfarçada
XXX de risada atiçada

Mulher vulcão acordado, que explode de uma só vez e depois é impedido de manter seu estado de erupção. Não encontra espaço e as lavas em alta pressão tentam se esquivar pelos mínimos buracos, mas de tão pequenos que são, acabam por esfriá-las.

Menina magoada que procura em diversos lábios, a possibilidade de fuga, de esquecimento, mas não achou em nenhum momento e percebe que não são essas buscas desenfreadas que a farão encontrar a saída para as lavas.

Menina carência? Não! Por carência qualquer um desses lábios que expressasse a poesia mais bonita, soaria como feitiço.

Mulher objeto? Nunca, jamais, inadmissível!

Menina frágil, “boneca que quebra, esfacela, remodela, recria”*, que transforma um pequeno momento em quase obsessão, em quase TOC. TOC que lembra o toque... Difícil traduzir em palavras a intensidade de um sentimento, como dizer o indizível? Acontecimentos ou sentimentos inesperados não precisam de explicação ou razão. Pura emoção!

 “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis” (Fernando Pessoa).

Homem admirável que tem como ponto de apoio a profissão.
Profissão status?
Não, mas é assim que nossa sociedade interesseira a vê. É fato!
Profissional sonho de consumo de mulheres incapazes, quer dizer, sonho de consumir através de quem exerce a profissão. Hilário!
Área da profissão que realiza sonhos. Pacientes fragilizadas que confundem e transferem seus resultados a quem foi capaz de devolver a auto-estima. Perfeitamente comum.
Mas que menino não gosta de ter mulheres aos seus pés? Confunde o ego, afrouxa o superego, libera o id e o menino regride.

Profissão em constante evolução, que exige conhecimento sem limite, estudo, amadurecimento, diferencial, qualificação. Só ser médico não basta!
Quem define a posição de status não é a profissão, mas “o profissional”. Qualquer um pode atingir essa condição privilegiada, desde que trabalhe, estude, tenha esforço e dedicação. E a palavra acomodar deverá ser banida pelos que desejam brilhar.
Homem Profissional.
Homem Profissão.

Menino que não constitui relação.
Menino incoerência, contradição, onde a intenção verbalizada não corresponde à ação realizada. Palavra que encanta, atitude que desencanta...

Menino que se basta, egocêntrico, menino ainda narciso... não seria preciso!

Menino que extravasa entre ondas e golpes. Que libera nas curvas imprecisas das águas ou no oponente toda a carga emocional, renovando, suscitando a catarse.

Menino que tem como base a família, pai e mãe.
Base que não é fixa e que se perde, devido à ordem natural dos acontecimentos, a não ser que haja algum percalço.
Menino sem base talvez vire ainda mais menino diante do desequilíbrio, não tem onde se escorar, digo escora fixa. Sim existem amigos, para o primeiro alívio, existem falsos amigos que querem ver seu declínio.

Menino crepúsculo, assim foi chamado. Provavelmente porque viram a semelhança através de um par de olhos claros, não viram a essência. Infelizmente é assim que a maioria das pessoas enxerga as outras, valorizando o superficial.
Menino crepúsculo sob outro olhar: momento especial, nunca é igual, é sempre uma surpresa, tem curto prazo, não é dia nem noite, difícil prever cores e formas, belo, admirável... Menino incógnita, imprevisível, fácil de contemplar, instante mágico...
Menino platônico, que some e leva seu cheiro. Menino egoísta! Quem sabe um egoísmo inconsciente, talvez por não ter desenvolvido a capacidade de perceber que existem pessoas que querem seu bem, que se preocupam, preocupação de quem é mãe talvez. Basta apenas um sinal, uma palavra amiga, uma forma de carinho, sem a exigência da presença física. Mas não é direito exigir nada de ninguém.

Às vezes um presente, um amigo, uma amor nos é colocado a frente, mas não é visto, não é valorizado, passa despercebido ou é negligenciado porque sempre um novo objetivo nasce para ser alcançado, sem a certeza de que irá conquistá-lo.

Menino que precisa aprender:
Ver e perceber;
Olhar e enxergar;
Assistir e refletir.

Mulher/Homem/Menina/Menino
Energia que concentra confiança, romantismo, sedução, desejo, erotismo, fantasia, vulgaridade, promiscuidade, impudor, despudor, luxúria, tara, perversão... Energia que estremece, explode, turbilhão de emoções que entre quatro paredes vale, deve valer e haver para que não haja explicação, se houver explicação para isso é porque não valeu.

Mulher/Homem/Menina/Menino, vale?
Talvez não exista, talvez seja invenção, um sonho bom, talvez não tenha sido descoberto ou depende de coragem, ato de firmeza, cumplicidade, necessidade de correr riscos.  

“É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.”  (Paulo Coelho)

Mas então? Vale?
Depende simplesmente de vontade mútua, apenas um perdido no vale, só se escuta o lamento e sem consentimento... não vale!

Homem menino?
Menino homem?

Quem sabe os dois, os dois estão perto do equilíbrio, nem menino demais, nem homem demais, nem maduro demais, nem imaturo demais. Amadurecer depressa corre o risco de apodrecer mais rápido.

Menino moleque que aos trinta e sete ainda pinta o sete.

Menino que gosta de carinho, que ronca baixinho...

Menino Homem
Homem Menino
Simplesmente
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Juliana Ayres
Fevereiro / 2010
* Fragmentos do poema Jú (eu mesma) por Ciça Alazraqui.