quinta-feira, 26 de agosto de 2010

SENTIR



Sentir


Queria um amigo para poder me dar abrigo
Queria mais que isso, algo não compreendido
Queria desfrutar da cumplicidade do teu olhar
Queria poder viver sem nunca te magoar
Queria poder ver você me perceber
Queria poder ser o que queira conhecer
Queria te dar colo mesmo que choro
Queria apenas ouvir: eu te adoro!
Queria uma conversa e entender como promessa
Queria ter sem pressa, é isso que interessa
Queria acordar ao seu lado e olhar
Queria levantar e meu sonho realizar
Queria sorrir ao você me possuir
Queria sentir sem conseguir traduzir
Queria poder tentar apenas te amar
Queria te amar, amar sem sufocar
Queria acordar sem o sonho acabar
Queria te amar e desse sonho não acordar

Queria?

Quero abrigo compreendido, olhar sem magoar, perceber, conhecer, chorar, adorar, promessa sem pressa, olhar, realizar, possuir, traduzir, amar, sufocar, sonhar, acordar... sentir...






Juliana Ayres



26/08/2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CURA

CURA




Já a felicidade é papo para outra hora, é para quem tem a sabedoria de um profissional da saúde, parafraseando Yung, que entende que não existe cura sem dor.
É preciso doer profundamente, uma dor incontrolável aguda e cronificante, para que sua mente se expanda e sua visão seja ampliada a ponto de perceber a tempo de sobreviver... que é tudo, até mesmo o absoluto, relativo e proporcional a ilusão criada por sua mente racional.
Mente esta, que surpreende quando conta o que sente e faz doer até na gente quando visível a, oprimida, mulher que seria se ela própria se permitisse.
Sim, volta-se novamente a mesma questão. Sim, o amor!
O amor perdido, jamais vivido, o amor que não foi sentido, que não foi doído, que não foi passado, que faltou as aulas, que esteve presente sempre em outra sala, que nunca a enxergou, que a deixou de lado... que não esteve nem mesmo no seu passado.
Possivelmente não haverá cura para o que sente, se na verdade não está doente.
Sua doença é a paixão, provavelmente.

Kris Cupertino p/ Juliana Ayres


25/08/2010

INSENSATEZ

INSENSATEZ



Será tudo solidão?
Será pureza de espírito? Será algo jamais descrito?
Será fraqueza? Carência? Necessidade de tristeza?
Será coisa de artista? Será alma de altruísta? Será coisa de gente egoísta?
Será que falta um pedaço? Será que ainda não achou seu espaço?
Será que faz todos de palhaços?
O que será que a faz assim?
O que a faz sofrer tanto, como que encanto de conto de fadas?
Difícil saber, impossível compreender. Ela própria não entenderia o porquê de tanta agonia...
É só uma menina, perdida pela idade que a poeira escondia.


Kris Cupertino p/ Juliana Ayres


25/08/2010




Jú Desliza na vida,
patina pelas adversidades,
esquia pelos sonhos,
surfa na vontade.
Segue em frente,
sem remar precisamente.
Nega-se a sentir o granizo
e às vezes faz com ele um sorvete.
Mãe inadvertida, selvagem, inquieta.
Jú divertida, devassa, casta, viva, ingênua, sofrida. Espremida entre Baco e Apolo,
dribla a razão com sua pressa imprecisa.
Irmã talento, gana, insistência, teimosia.
Jú impaciência, discreta rebeldia.
Boneca que quebra, esfacela, remodela, recria.
Jú começo, mil formas, alegria.
Mulher menina, irmã, fantasia.
Jú é todas, é atriz, é minha amiga.


Ciça Alazraqui p/ Juliana Ayres


23/11/2009

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ERROS

ERROS


Nós seres humanos somos cheios de falhas e tentamos sempre acertar, mesmo cometendo os maiores erros. Erros todos cometem e por mais estúpidos que sejam, acabamos inconscientemente prejudicando, magoando ou afastando a quem queremos bem, por outro lado aprendemos algo com isso, pois o erro verdadeiro é “aquele com o qual nada se aprende”. Se pudéssemos passar uma borracha em alguns de nossos atos, seria fácil fazer tudo certo. Lá vem a dicotomia entre o certo e o errado, o que é o certo e o que é o errado? Eis o paralelo da incoerência e das contradições. Escuto dizer que traição é errado, mas também escutei dizer que a pessoa que deseja trair, se não a faz, acaba traindo a si própria, pois está traindo o seu desejo. Então não trair seria seu erro... Difícil admitirmos nossas falhas, mais difícil ainda é tolerarmos as falhas dos outros, porque simplesmente escolhemos como a verdade o nosso entendimento. Eu erro, tu erras, ele erra e nós também erramos, erramos por discordarmos num aspecto que é relativo, que depende do meu, do seu referencial ou de quem quer que seja. Aquilo que não foi bom para você, foi bom para mim, e daí? Aquilo que funciona para você, pode não funcionar para mim, e daí? Não temos que comparar e nem questionarmos, apenas respeitarmos o que sentimos. Sem querer, com palavras menos elaboradas, repeti o que diz no texto: “Na terra, onde existe uma diversidade atroz na natureza e nos seres humanos e que ao mesmo tempo tende a convergir para a harmonia, para o equilíbrio e nós (os não ignorantes) temos a obrigação de contribuir para isso. Vocês vivem dizendo que eu faço tudo errado e o que é o certo? Vocês podem me dizer? Para a maioria das pessoas o certo é correr atrás do sucesso, da riqueza, do poder. É ser forte, lutador, radical em suas ações. São Francisco de Assis, Sidarta, deixaram a riqueza e o poder para se dedicar à caridade e à espiritualidade e nem por isso estavam errados. E os novos ricos, estão errados ao se entregarem com sofreguidão ao luxo, à ostentação, a tudo que o dinheiro pode lhes proporcionar, esquecendo-se de que o verdadeiro status é o caráter? Não, porque eles precisam disso para auto afirmação. Precisam experimentar e repor tudo o que não tiveram na vida e não podemos dizer que eles estão errados. E o que me dizem das diferenças culturais? Será que temos o direito de nos insurgirmos contra o costume da mutilação feminina de alguns países muçulmanos? O que para nós é uma barbárie, para eles é tradição, faz parte de sua cultura. Diferenças naturais, culturais, individuais. Este é o mundo em que vivemos. Devemos enaltecer os fortes, os corajosos, os destemidos? Claro, graças a Deus que existiram Marco Polo, Alexandre, Colombo, reis e rainhas poderosos. Mas o mundo não é só dos fortes. Os fracos, os humildes, os submissos, os mansos de coração e de espírito também têm o seu lugar na terra. Foram com eles que os fortes triunfaram. Por isso, neste mundo em que vivemos, tudo é relativo. Aliás tem uma frase muito coerente que diz: “a única regra absoluta que existe é que tudo é relativo”. Para mim a única lei universal que existe é a do bem e a do mal”. Nesse momento me fazem mal, sem saber que fazem, tentam de certa forma me atingir com uma enorme pedra, mas com minha força, embora devam achar que não tenha, quebro-a em pedacinhos, todos certeiros. Algumas tentam me derrubar, mas entre uma esquiva e outra eu acredito que vou alcançar meus objetivos. Não vou desistir no meio do caminho. Posso até aceitar que me ajudem, mas no meu tempo.

Juliana Ayres

AGOSTO/2010