quarta-feira, 22 de setembro de 2010

NÓS DOIS




Nós dois

Encontro...

Distanciados por desencontros, queria apenas um encontro.
Um sonho que não aconteceu, sonho...
Vivo todos os dias... olhos fechados... vejo possibilidades... detalhes.
Dois corpos, minha pele, sua pele, cheiro, suor, desejo, tremor...
Livres de pudor, tentados de amor.

Convite...

Momento único, entregue aos desejos... seus e meus... todos...
Livres da decência... apenas transparência... corpos nus.
Busco no espelho, aquele...
Vejo com clareza, sombras, contornos, desenhos, movimentos...
Vozes, sussurros, suspiros, palavras... todas...
Fantasia... música e dança... carícias.
Energia inesgotável, olhares, gozo, lágrimas...
Mão, rosto, lábios, toque...
Pausa, silêncio... olhar.
Olhares que gritam, invadem, possuem...
Despem segredos... Cúmplices...
Apenas um.


Juliana Ayres
         23/09/2010

     


2 comentários:

  1. carlos alberto sperotto24 de setembro de 2010 às 11:34

    Traduzir sentimentos em palavras é condição de alguém sensível. Aliás, era brincadeirinha aquele papo de que não escrevias, né? Deliberadamente sugestivos, teus versos fragmentam o inconsciente, mesmo de um eventual leitor...Baudelaire ou Rimbauld (não lembro agora qual dos dois)dizia que a arte poética verdadeira implode os sentidos (il faut imploser les sens). Ju, falo com sinceridade de amigo, crítico e também poeta, teus textos conjugam a máxima simbolista do desregramento dos sentidos a um quê de intimismo tão forte que, bem, prefiro deixar aqui uma vaga impressão, algo de mistério...Assim, cuidado pra não dizer tudo, pois, em poesia sempre temos que deixar uma lacuna, para que nossos leitores (ou o destinatário especial...) consigam ir além do texto, percebes? Se a escrita do silêncio que propus te ajudou, fico feliz e lisonjedo! Temos muito ainda a trocar, pela veia literária comum...un baccio, ragazza bella...

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  2. Bem, a beleza desse poema é evidente. Tanta quanto a sensualidade apaixonada. Pois há tantas sensualidades... A vulgar, a despropositada, a fria, a mal colocada, a incompleta, a indireta... E, entre todas elas, a apaixonada. Eis a que vai aí. E daí que toda essa transparência, toda essa revelação largam um pouco a estrutura modernista sobre que se assentam e evocam a lírica romântica mais efervescente. Impressionado, dei-me ao trabalho de contar as reticências oficiais, e são vinte e duas! As não oficiais são tantas em cada verso, que preferi não tentar contar o que não se conta. Claro, meus versos preferidos: “olhares que gritam, invadem, possuem... despem segredos...” Impressionante beleza, impressionante leveza. Cativante!
    Um abraço carinhoso
    Marcelo Bandeira

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