domingo, 11 de abril de 2010

CAPÍTULO 3



DANÇA E SUAS CARACTERÍSTICAS

 3.1) Dança

A Dança tem sua origem ligada a uma dimensão sagrada. Na antiguidade, a dança vivenciava a expressão de sentimentos religiosos, evocavam as forças da natureza, cultuavam aos deuses etc. O homem sempre celebrou através da dança a vida, a morte, a colheita, a guerra, o dia, o fogo, a fecundidade, a chuva e tudo que fazia parte de sua cultura.
Desde a antiguidade, a humanidade já tinha na expressão corporal, através da dança, uma forma de se comunicar.
O Renascimento cultural dos séculos XV / XVI trouxe diversas mudanças no campo das artes, cultura, política, dentre outras. A dança a partir daí começou a sofrer grandes mudanças, passou a ter um sentido social, era dançada em festas pela nobreza apenas como entretenimento e como recreação.
Aos poucos tornou acessível às camadas menos privilegiadas da sociedade que já desenvolviam outro tipo de dança: as danças populares, que foram se unindo às danças sociais, dando origem a muitos estilos de dança.
Encontramos influências culturais dos países aonde são dançados e de onde são originários os ritmos. Vários estilos de dança foram criados, mostrando que o homem sempre teve a oportunidade de criar diversas formas de expressão.
 A dança é a forma de expressão gestual mais antiga que se conhece, foi o primeiro modo de expressão artística do homem. Ela ajuda as pessoas a darem conta do próprio corpo e a usá-lo para expressar sentimentos internos.
A dança é reconhecida por qualquer pessoa de nível cultural e nacionalidade, pois existe em cada ser humano.
“A dança não se ensina, ela está dentro de cada um de nós. Primeiro tem que analisar sua vida, quando entender sua própria vivência, surgirá sua própria dança” (Kazuo Ohno, 1992).
A dança é interiorizada e busca a expressividade no corpo, tornando visível o invisível. O corpo se torna um veículo de expressão, onde uma idéia, um sentimento ou até algo indisível, é representado através de movimentos. Garaudy (1980) diz que se pudéssemos dizer alguma coisa, não precisaríamos dançá-la. “A dança é um modo de existir” (Garaudy,1980 p.13).
O conceito de dança, no dicionário de Aurélio Buarque de Iolanda Ferreira é: “cadência de passos ou de saltos, ordinariamente ao som e compasso da música” ou ainda “bailado”, mas a dança é muito mais profunda do que complexos saltos, a dança é sentimento, é expressão, é conhecimento corporal, é comunicação.
Em A Alma e a Dança, há em seu diálogo uma descrição bonita de dizer como o corpo se expressa de forma grandiosa através da dança, no momento em que perguntam “como a natureza soube esconder nessa menina tão frágil e tão fina um tal monstro de força e prontidão? Hércules transformado em andorinha existe este mito?” (Valéry, 1996, p.41).
Hoje encontramos diversas formas de dança e em cada uma delas, a melhor maneira de se expressar. Podemos citar alguns tipos como a dança clássica, moderna, contemporânea, danças típicas (de acordo com cada região), jazz, sapateado, dança de rua entre outras.

3.2) Objetivos da dança

Um dos objetivos da dança é propiciar aos indivíduos aprimorarem seu conhecimento sobre o próprio corpo, pois esta aumenta a sensibilidade corporal. Essas experiências oferecem a oportunidade para que as pessoas conheçam suas capacidades físicas e seus limites. Para que o homem evite a alienação é necessário, que tome consciência de seu próprio corpo, do movimento consciente e criativo, de suas possibilidades expressivas, da orientação espaço temporal e de sua relação com  os demais.
"A própria vida está diretamente envolvida com os processos de transformação do conhecimento e da importância na experimentação do corpo como um movimento humano consciente” (Verderi, 1998, p.13).
Além de ser uma forma saudável de se exercitar, a dança também aperfeiçoa qualidades psicomotoras, ajudando no desenvolvimento da personalidade (Masson, 1988).
A dança por se tratar de uma forma de expressão corporal, deve ser analisada e executada com harmonia entre cérebro e corpo.
Isadora Duncan (apud Garaudy, 1980, p.57), pioneira da dança moderna, diz:

“Para mim, a dança é não apenas uma arte que permite à alma humana expressar-se em movimento, mas também a base de toda uma concepção de vida mais flexível, mais harmoniosa, mais natural. A dança não é, como se tende a acreditar, um conjunto de passos mais ou menos arbitrários que são os resultados de combinações mecânicas e que, embora possam ser úteis como exercícios técnicos, não poderiam ter a pretensão de constituírem uma arte: são meios e não um fim”

ou ainda “Dançar é vivenciar e exprimir, com o máximo de intensidade, a relação do homem com a natureza, com a sociedade, com o futuro e com os Deuses” (Garaudy, 1980,  p.14).
Ruth Saint-Denis (apud Garaudy, 1980, p.75), também pioneira da dança moderna, diz: “A maior função da dança é a de ajudar o homem a formar um conceito mais nobre de si próprio”, ou então “a dança revela a alma” (Verderi, 1998, p.37).
Devemos entregar nossos corpos à magia que a dança nos remete, procurando aprender e aperfeiçoar sempre, para que os movimentos conscientes nos possibilitem experimentar novas emoções, a cultivar uma imagem positiva de si próprio, e a tornarmos seres mais confiantes e organizados. Movimentos mal organizados demonstram má organização da personalidade, desperdício, ineficiência, sofrimento e frustração.

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